NORTE E NORDESTE NAS FESTAS JUNINAS

 

 

 

 

 

 

 

NORDESTE/NORTE

 

 

Embora sejam comemoradas nos quatro cantos do Brasil, na região Nordeste as festas ganham uma grande expressão. O mês de junho é o momento de se fazer homenagens aos três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Como é uma região onde a seca é um problema grave, os nordestinos aproveitam as festividades para agradecer as chuvas raras na região, que servem para manter a agricultura.

 

Além de alegrar o povo da região, as festas representam um importante momento econômico, pois muitos turistas visitam cidades nordestinas para acompanhar os festejos. Hotéis, comércios e clubes aumentam os lucros e geram empregos nestas cidades. Embora a maioria dos visitantes seja de brasileiros, é cada vez mais comum encontrarmos turistas europeus, asiáticos e norte-americanos que chegam ao Brasil para acompanhar de perto estas festas.

 

 

 

 

COMIDAS TÍPICAS

 

 

Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos.

 

Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bombocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais.

 

 

TRADIÇÕES

 

 

As tradições fazem parte das comemorações. O mês de junho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam.

 

No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros.

 

Quem acredita que festa junina se resume a milho cozido, quentão, bandeirinha colorida e fogueira precisa conhecer a versão nordestina. Na região, os tradicionais arraiais deram lugar a megaeventos, planejados o ano inteiro e principal fonte de receita de vários municípios. Com shows grandiosos e o que há de melhor em suas culturas, cada Estado investe pesado para atrair os milhões de turistas que costumam passar por ali nesse período.

 

O nome festa junina, aliás, não é muito usado. Entre os nordestinos, São João tem, além de um dia próprio (24 de junho), um mês inteiro de festança. O difícil é saber qual o melhor destino para se jogar nessa folia.

 

Para tentar ajudar, a primeira dica é não dar muito crédito para as propagandas dos organizadores. Se fizer isso, a decisão vai ser ainda mais complicada. Em Pernambuco, Caruaru, que em 2009 homenageia o artesão Mestre Vitalino, afirma ter o maior São João do Mundo, mas Campina Grande, na Paraíba, garante que é dela esse título. A Bahia, que vai gastar R$ 10 milhões nas festas deste ano, corre por fora e, ainda que modestamente, diz oferecer a maior quantidade de atrativos.

 

Maceió, em Alagoas, já faz planos para deixar todos os outros para trás e se tornar a capital junina.

 

O bumba-meu-boi, no Maranhão, e os lampiões do Rio Grande do Norte são ofertas imperdíveis para quem não abre mão de conhecer a cultura local. Na mesma linha, mas com a opção de deixar o turista interagir e cair no ritmo regional, as muitas danças e quadrilhas do Ceará são imperdíveis. Sem falar em Sergipe, onde o forró, executado com primor pelos melhores grupos nacionais, nunca tem hora para acabar.

 

 

 

Outra boa dica para quem ainda não decidiu aonde ir em junho é se guiar pelas comidas. Nas festas de São João, a culinária local é sempre instigante e saborosa. E, o melhor, vem em porções generosas e com preços convidativos.

 

 

 

 

NORTE E NORDESTE : POPULARIDADE

 

Atualmente, os festejos ocorridos em cidades pólos do Norte e Nordeste dão impulso à economia local. Citem-se, como exemplo, Caruaru em Pernambuco; Campina Grande na Paraíba; Mossoró no Rio Grande do Norte; Maceió em Alagoas; Aracaju em Sergipe; Juazeiro do Norte no Ceará; e Cametá no Pará. Além disso, também existem nas pequenas cidades, festas mais tradicionais como Cruz das Almas, Ibicuí, Jequié e Euclides da Cunha na Bahia.

 

As duas primeiras cidades disputam o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru esteja consolidada no Guinness Book, categoria festa country (regional) ao ar livre. Além disso, Juazeiro do Norte no Ceará e Mossoró no Rio Grande do Norte disputam o terceiro lugar de maior são joão do mundo.

 

 

 

 

BAHIA

 

 

Praias mais vazias, nada de axé nas rádios e muito forró. Assim é o mês de junho na Bahia. Com temperaturas amenas - em torno dos 20 graus, o Estado volta todas as atenções para o interior e suas disputadas festas juninas. Todos os 417 municípios baianos organizam arraiais durante o mês inteiro, com destaque especial para as cidades do chamado Recôncavo Baiano, como Amargosa, Cruz das Almas e Senhor do Bonfim. Pacatas, elas ganham um novo brilho nessa época do ano.

 

No arraiá baiano, além de muito forró e dança de quadrilha, há a possibilidade de se deliciar com as guloseimas da terra. Dá-lhe canjica, bolo de fubá, de mandioca e de laranja. Além dos tradicionais amendoim torrado e milho cozido. Para beber, o quentão é a pedida certa em todo o Brasil. Mas aproveite a estada na Bahia para experimentar os licores com sabores bem locais. O de jenipapo é o mais tradicional. Tudo ao pé da fogueira e com muitas cores, tanto das roupas típicas quanto dos quilômetros de bandeirolas que enfeitam os céus de todas as festas.

 

Apesar de o mês estar recheado de atrações, os destaques são apresentados entre os dias 21 e, principalmente, 24 de junho, dia exato da comemoração de São João. É esse o período em que a maioria das cidades deixa um pouco de lado os artistas regionais para abrir espaço a bandas e cantores mais famosos, como Calypso, Elba Ramalho e Dominguinhos.

 

Apesar de São João ser o preferido para o grande dia da festa, os outros dois - Santo Antônio e São Pedro - também recebem atenção especial em algumas cidades.

 

O investimento para tanta festa custa cerca de R$ 10 milhões aos cofres públicos do Estado. Porém, o retorno é muito saudável para a economia local. Somando as expectativas de Amargosa, Cruz das Almas e Senhor do Bonfim, o faturamento das três cidades deve ficar em torno de R$ 20 milhões. Puxados principalmente pelo comércio de roupas, alimentos, bebidas e hospedagem.

 

E até o soteropolitano, que odeia perder festa, vai para o interior. Aproximadamente 500 mil pessoas deixam a cidade. "São João é maior e mais democrático que o carnaval. E como dura o mês inteiro, movimenta mais a economia", afirma o secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli.

 

Essa democracia mencionada pelo secretário se reflete na escolha das atrações, que atendem a todos os tipos de públicos. Em Amargosa, a banda de forró Calcinha Preta é destaque no dia 23 de junho, na Praça do Bosque. Aos que buscam algo mais voltado para MPB, Zé Ramalho, dia 20, estará em Senhor do Bonfim (Parque da Cidade). Em Cruz das Almas, o show que deve superlotar o Parque Sumaúma, dia 22, é o da Banda Calypso.

 

 

 

 

SIMPATIAS INFALÍVEIS

 

 

 

 

O gosto do povo baiano pelas mandingas já é conhecido por todos. E para mostrar que a fama é real, a Bahia tem um rol especial de simpatias para o período de festas juninas.

 

São inúmeras opções, direcionadas principalmente ao casamenteiro Santo Antônio. Assim, para quem está ansioso para saber o ano em que irá se casar, os baianos têm uma "receita infalível": em 12 de junho, passe um copo com água sobre uma fogueira. Em seguida, amarre uma aliança que pertença a uma mulher casada em um fio do seu cabelo - como vai conseguir isso, é outra questão. Pendure o fio sobre a borda do copo e reze uma "Ave Maria". A quantidade de vezes que o anel bater no copo durante a oração representa o número de anos que faltam para o casório.

 

Tem mais. Para saber a primeira letra do nome do marido, crave uma faca virgem em uma bananeira no dia 23 de junho. Volte para casa sem olhar para trás. Ao amanhecer, veja a letra inicial que aparece na lâmina. Se não aparecer nada, péssimo sinal.

 

Para manter a paixão acesa, também há simpatia. Após o banho, passe seu melhor perfume no corpo como se desenhasse uma cruz - do pescoço até o umbigo e abaixo do peito, da esquerda para a direita. Assim, o amor estará garantido.

 

 

 

 

CRUZ DAS ALMAS - BAHIA

 

 

A pacata Cruz das Almas - a 170 quilômetros de Salvador - é invadida em massa pelos soteropolitanos durante as comemorações do São João. Por causa disso, o município de aproximadamente 60 mil habitantes vê sua população triplicar durante a época da festa, entre os dias 19 e 24 de junho.

 

Não bastasse o grande arraial do Parque Sumaúma, com suas comidas típicas, licores e muito forró, há também a guerra de espadas - a grande atração de Cruz das Almas. Em determinados pontos da cidade, animados grupos criam espetáculos de luzes com os fogos de artifício, feitos com bambus e muita pólvora (daí a semelhança com uma espada). Apesar de não ser explosivo, é bom que os desavisados fiquem a uma distância segura da brincadeira para evitar queimaduras.

 

Enquanto a legião de combatentes se diverte pelas ruas do município, o palco principal da festa reúne o que a música regional tem de melhor. O forró contagia os turistas e até mesmo quem não sabe nem o básico dois pra lá dois pra cá se anima com o arrasta-pé. Momento propício e lugar ideal para a paquera rolar solta.

 

Quando as poucas vagas nos hotéis e pousadas se esgotarem, o jeito é recorrer aos municípios vizinhos. Ou alugar espaços para grupos, em casas ou até mesmo escolas.

 

Quem exige conforto pode comprar pacotes com destino a Salvador com hospedagem na capital e transporte garantido de ida e volta para Cruz das Almas. Aí é só correr para o abraço ou, nesse caso, para a folia.

 

 

 

 

GÍRIAS DE QUADRILHA

 

 

 

Anavantur:

 

Comando usado para indicar que os cavalheiros devem tomar as damas e andar de mãos dadas até o centro do salão, encontrando-se com a fila da frente, que também estará no mesmo movimento.

 

Anarriê:

 

Os pares, ainda de mãos dadas, voltam de costas até o ponto em que estavam e se separam, ficando os cavalheiros na frente das damas. É um dos mais conhecidos.

 

Travessê geral:

 

As duas filas, homens de um lado, mulheres do outro, atravessam o salão ao mesmo tempo, cruzando-se no centro pela direita. Ao chegarem aos lugares marcados, voltam a ficar de frente para o par.

 

Balancê com o par do vis a vis:

 

Seguem somente os cavalheiros e, ao se encontrarem com as damas, entrelaçam o braço direito no braço da mulher. Dão duas voltas e retornam a seus lugares, ficando de frente para o par.

 

Otreofá: Outra vez

 

 

Granmuliné:

 

É o momento de descontração da quadrilha, em que os pares ficam à vontade para se divertir, fazendo brincadeiras entre eles .

 

Grande chène creché:

 

A dama dá a mão ao cavalheiro, que depois coloca a mão esquerda na direita de outra dama. Os casais passam a trocar de dama até todos voltarem a encontrar seus pares. O movimento também pode ser chamado de garranché

 

Beija-flor:

 

Os pares seguem até o meio do salão, onde as damas estendem a mão direita para os cavalheiros beijarem

 

Cortesia:

 

Os cavalheiros dão um passo para trás sem largar a mão da dama, ficando quase ajoelhados. As damas dão duas voltinhas pela esquerda, os cavalheiros se levantam e aguardam o próximo passo, que deve vir por um novo comando

 

 

 

 

CARUARU X CAMPINA GRANDE

 

 

Mais do que Natal, réveillon ou carnaval. Para muitos nordestinos, o período mais esperado do ano é o mês de São João. Nas cidades em que o espírito junino é levado a sério, há uma rivalidade sem-fim na hora de decidir quem tem a melhor festa. Se houvesse a disputa de um torneio, a final seria entre Campina Grande e Caruaru. Uma decisão tão acirrada quanto um Fla-Flu no Maracanã.

 

As cidades, separadas por apenas 149 quilômetros, têm torcida de cerca de 1,5 milhão de pessoas, correspondente ao número de visitantes que lotam suas ruas durante as festas juninas. Qualquer campinense refere-se à festa de sua cidade como o "Maior São João do Mundo" - e eles até apelidaram o Parque do Povo, que concentra as apresentações, de "Quartel General do Forró".

 

Os caruaruenses dizem ter, eles sim, o "Maior São João do Mundo". Carinhosamente, chamam a cidade natal de "princesa do Agreste" pernambucano. Isso quando não usam a denominação "Capital do Forró". Na falta de um juiz que resolva a questão, as duas se autointitulam as maiorais.

 

A rixa entre os dois municípios é tão grande que nem mesmo artistas renomados declaram sua preferência. Para evitar atrito, se apresentam nas duas, como é o caso, este ano, de Elba Ramalho, Zé Ramalho, Dominguinhos e Geraldinho Lins.

 

Se a duração da festa for fator de desempate, em 2009, Caruaru está na frente. A cidade pernambucana terá 42 dias de celebração, contra 31 de Campina Grande. Outra vantagem caruaruense é a tentativa de resgatar tradições regionais em sua festa. Mais manifestações populares, menos bandas pop.

 

Campina Grande terá uma festa semelhante às edições anteriores. Mas está reformando seu palco de eventos, instalou câmeras de segurança e inovou ao criar pontos gratuitos de internet sem fio. Seu São João ainda tem a vantagem de se espalhar por dois distritos vizinhos.

 

Na dúvida, é bom não tomar partido. Melhor mesmo é aproveitar a proximidade entre elas e visitar as duas cidades.

 

 

 

 

DUELO EM NÚMEROS

 

 

1,5 milhão de pessoas é o público esperado pelas duas cidades.

 

Empate até o momento

 

6 milhões de reais é o que vai investir Caruaru-PE no evento deste ano, batendo Campina Grande-PB, que deve gastar R$ 5 milhões

 

43 mil metros quadrados é a área disponível para receber a festa na cidade paraibana, que empata a disputa, afinal os pernambucanos contam com 42 mil m²

 

42 dias de folia garantem aos caruaruenses o 2 a 1 no confronto. A rival terá ‘apenas’ 31

 

 


 

 

 

 

APENAS CARUARU

 

 

Os números do São João de Caruaru fazem aquela quadrilha do colégio ficar totalmente sem graça. São R$ 6 milhões em investimentos, 42 dias de festa e 1,5 milhão de visitantes. Em 2009, porém, nenhuma dessas cifras será mais importante do que os dois zeros que representam o centenário do nascimento de Vitalino, o mestre da música e do barro que ganhou homenagem na festa de sua cidade natal (leia mais ao lado). Sua importância é tanta que a programação começa em 30 de maio e termina em 10 de julho, dia em que seria seu aniversário.

 

O artista caruaruense simboliza o retorno às raízes culturais a que se propõe o São João deste ano. "Nossa festa tinha perdido um pouco de sua autenticidade. Era apenas palco, som, banda e bebida", diz o presidente da Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru, José Pereira. "Queremos resgatar origens e seguir a linha do mestre disso tudo, que é Luiz Gonzaga."

 

Em 2009, a cidade terá, sim, atrações de peso, mas vai abrir mais espaço a artistas regionais e eventos que valorizam a cultural local.

 

Essa valorização se percebe também no retorno do Arraial Vitalino, ausente desde 2000. Trata-se de um corredor junino que vai do centro da cidade até a principal área de eventos.

 

A programação também inclui artistas de renome - como Elba Ramalho, Zé Ramalho e Dominguinhos -, que se apresentam a partir das 20h, no Parque de Eventos Luiz Gonzaga. O local tem 42 mil metros quadrados, com dois palcos. Além do Pátio do Forró, preparado para receber 150 mil pessoas.

 

 

 

 

DIFERENTE

 

 

O São João também toma conta das ruas na animada festa de Caruaru, com seus 290 mil habitantes. Em uma das vias mais movimentadas, a Avenida Agamenon Magalhães, ocorrem os desfiles das pitorescas "drilhas". Durante os fins de semana da festa, se apresentam 11 quadrilhas especialmente preparadas com dose extra de irreverência. Na Sapadrilha, por exemplo, apenas mulheres vestidas de homem podem entrar.

 

Outra curiosidade é a festa das comidas gigantes. Entre 6 e 29 de junho, o público poderá degustar, de graça, receitas como a do Maior Cuscuz do Mundo, com mais de 4 metros de altura, 600 quilos de flocos de milho e 200 quilos de charque.

 

Quem quer aproveitar a viagem e conhecer algo além das festas juninas, deve ir ao Casa-Museu Mestre Vitalino, que funciona na casa onde o ceramista viveu. Lá estão obras, objetos pessoais e o rústico forno a lenha em que queimava o barro.

 

Casa-Museu Mestre Vitalino: Rua Mestre Vitalino, s/n, Alto do Moura. Entrada gratuita. Aberto de segunda a sábado, das 8 às 12h e das 14 às 17h. Aos domingos, das 9 às 13h.

 

 

 

 

O MAIS ILUSTRE CARUARUENSE

 

 

Música e artesanato fizeram de Mestre Vitalino um caruaruense conhecido no mundo inteiro. Se estivesse vivo, completaria 100 anos em 2009. Por isso, é o homenageado especial no São João de Caruaru, em Pernambuco.

 

De origem humilde, filho de lavradores, Vitalino Pereira dos Santos nasceu em 10 de julho de 1909 e morreu em 1963. Quando criança, aprendeu a fazer as primeiras peças de barro com sua mãe, que construía utensílios domésticos com argila, vendidos a preços bem baixos na tradicional Feira de Caruaru.

 

Seu sucesso como ceramista, depois de expor na 1.ª Exposição de Cerâmica Pernambucana, no Rio, acompanhou o ritmo de suas composições para a banda Zabumba Vitalino, na qual tocava o pífano principal.

 

Vitalino virou estrela nacional, ganhou reportagens, participou de programas de televisão e viajou para fora do País para mostrar sua arte.

 

Tornou-se referência para inúmeros artesãos nordestinos e, quando morreu, já era considerado um autêntico mestre de Caruaru. E um dos principais artistas populares do Brasil.

 

 

 

 

APENAS CAMPINA GRANDE

 

 

O consagrado São João de Campina Grande elaborou para 2009 uma programação tradicional, com números de arrepiar e cantores superfamosos. O calendário junino da segunda maior cidade da Paraíba, com 370 mil habitantes, vai de 29 de maio a 28 de junho, período em que deve receber 1,5 milhão de visitantes, pouco mais que no ano passado, e atrações que repetem o sucesso de edições anteriores. Mas os campinenses prepararam novidades interessantes. A maior parte em infraestrutura e tecnologia.

 

Talvez a notícia que mais interesse ao turista é o lançamento de um portal na internet, que terá informações detalhadas sobre a festa. O endereço é o www.saojoaodecampina.pb.gov.br.

 

Símbolo da celebração junina da cidade, a Pirâmide também foi reformada. Reservada para as bandas, trios e quadrilhas, ela fica na parte central do Parque do Povo. O espaço de 43 mil metros quadrados foi parcialmente reformulado e vai ganhar, neste ano, câmeras de monitoramento para reforçar a segurança e facilitar o trabalho da Polícia Militar.

 

Outra novidade beneficia visitantes que não conseguem ou precisam utilizar o notebook. Eles poderão navegar na internet por ali mesmo, usando um sistema de conexão sem fio. O serviço será gratuito.

 

 

 

 

TESTE FÍSICO

 

 

Para a noite de abertura, em 29 de maio, está confirmado o show da banda Aviões do Forró. O grupo Cavaleiros do Forró se apresenta dois dias depois e, no dia 7 de junho, será a vez do Brasas do Forró subir ao palco. Um teste e tanto até para os mais dispostos dançarinos.

 

Os ícones da música nordestina também estão garantidos na programação. Elba Ramalho se apresenta no dia 23 e Zé Ramalho toca no dia 26.

 

Cansou? Então reponha as energias em uma das 250 barracas e quiosques instalados nos arredores do Parque do Povo. Conheça o local com calma e vá até o espaço Vila Nova da Rainha, que, com 15 casas e uma igreja, abriga os artesãos da cidade e remonta uma época em que Campina Grande não passava de um vilarejo.

 

Bem perto desse ponto está a Pirâmide, local em que será celebrado, mais uma vez, no dia 12 de junho, o tradicional Casamento Coletivo, uma das principais atrações do São João.

 

Como chegar: Campina Grande está a 126 quilômetros de João Pessoa e há transporte rodoviário da capital até lá.

 

 

 

 

MARANHÃO

 

 

Esqueça o forró e a quadrilha. No Maranhão, os festejos juninos são marcados por manifestações culturais que mesclam as culturas negra, indígena e portuguesa. Ao som de matracas, zabumbas, clarinetas e saxofones, as chamadas brincadeiras abusam de movimentos de dança, ritmos diferentes, roupas brilhantes e adereços. Tudo para contar histórias sobre a colonização, a escravidão e até os causos dos índios.

 

As ruas se enchem de luzes e cores, as noites se confundem com os dias e os sons se misturam. Cada esquina parece anunciar algum festejo. Entre as danças típicas - como tambor de crioula, bambaê de caixa, cacuriá, tambor de mina e dança da fita -, o bumba-meu-boi surge como a principal manifestação folclórica da região.

 

É o boi que vai reger todos os bailados e fazer as noites maranhenses serem consideradas por muitos as mais belas do País no mês de junho. Que o diga a capital do Estado, São Luís. A temporada na cidade começa com a Festança do Boi da Lua, realizada há dez anos para homenagear os santos juninos e exaltar as raízes culturais do Maranhão.

 

 

 

 

RIO GRANDE DO NORTE: NATAL

 

 

- Com um grande arraial montado em torno do Ginásio Poliesportivo Osmundo Farias, o Festival de Quadrilhas Juninas, em Monte Alegre (RN), a 51 quilômetros da capital, Natal, deve receber cerca de 80 mil pessoas em oito dias de evento. Todos os dias, entre 18 e 3 horas.

 

Para quem estiver fora do ginásio, a iluminação feita por lamparinas e bandeirinhas coloridas decora com graça a festa. Além disso, mais de cem barracas vão aplacar a fome do espectador com churrasquinho de bode, queijo coalho assado e pé de moleque, entre outras gostosuras típicas. Para matar a sede depois do forró, a cerveja e as cachaças da região são sempre as principais pedidas.

 

Apesar da agitação do entorno, o público se interessa mesmo é pelas apresentações dentro do ginásio.

 

Em clima de partida de futebol e ao som de música ao vivo, até torcida organizada é formada para prestigiar as quadrilhas. Neste ano, cerca de 180 grupos vão mostrar seus talentos durante a fase eliminatória do festival, entre 14 e 20 de junho, divididos em três categorias: tradicional, estilizada e comédia.

 

Na tradicional, ou matuta, as moças vestem roupas de tecido barato - geralmente chitão - e os homens, calças com remendos e chapéus de palha. Na estilizada, as mulheres usam peças luxuosas e os homens, terno. Já na comédia, celebridades viram alvo do bom humor nordestino. Homens se vestem como Xuxa, Madonna ou quem estiver em destaque.

 

Os grupos vencedores em em cada categoria (de todas as noites) se classificam para a final - em 25 de junho. As campeãs ficam com o título de melhor quadrilha do Rio Grande do Norte. Para organizar a festa, Monte Alegre investiu cerca de R$ 40 mil neste ano.

 

 

 

 

RIO GRANDE DO NORTE: MOSSORÓ

 

 

Mossoró Cidade Junina pretende arrastar para a folia 1 milhão de pessoas. A 277 quilômetros de Natal, a cidade se autointitula a detentora do maior arraial do Brasil.

 

Toda a região central é tomada pela festa, com barracas e bandeirolas coloridas. O turista que se aventurar por ali vai encontrar boa música nordestina, quadrilhas, feiras de artesanato e comidas típicas.

 

Mas se toda a cidade está mobilizada, o coração da festa junina fica mesmo dentro da Estação das Artes Eliseu Ventania. A área possui mais de 48 mil metros quadrados, com palcos, barracas e restaurantes, e é onde se apresentam mais de cem grupos musicais. Artistas como a banda Calypso e o cantor Leonardo devem estar no evento.

 

O arraial não se restringe à Estação das Artes. Em várias praças da cidade ocorrem atividades culturais, como festivais de quadrilhas e encontros de sanfoneiros. Ao todo, Mossoró terá seis palcos para dar conta de todas as atrações.

 

Para os marinheiros de primeira viagem, a dica é assistir à apresentação de um feito histórico: a resistência de Mossoró ao Bando de Lampião. O fato ocorreu em 1927 e é contado em cenário real – a Capela de São Vicente. Lá foi travada a principal batalha entre a população e os cangaceiros.

 

No dia 13 de junho daquele ano, o Rei do Cangaço sofreu o que ele próprio considerava a maior derrota de sua vida como cangaceiro. Após três dias na cidade, que estava em festa, ele e seu bando foram postos para correr de Mossoró. O espetáculo chamado Chuva de Bala no País de Mossoró conta com 55 atores em um palco de 510 metros quadrados. A atração é gratuita e tem sua exibição garantida por 12 dias.

 

Mossoró, com cerca de 230 mil habitantes, tem boa estrutura hoteleira e gastronômica e o turista pode curtir a festa junina tranquilamente. Para se ter uma ideia da força do São João, os hotéis registram taxa média de ocupação em torno de 85% em junho. Para realizar o arraiá, são investidos R$ 4 milhões. Estima-se que essa cifra ajude a movimentar R$ 10 milhões na economia local.

 

 

 

 

MOSSORÓ : HISTÓRIA

 

 

A história de Mossoró é recheada de momentos importantes, dentre os quais quatro merecem destaque: Abolição dos Escravos, em 1883 (cinco anos antes da Lei Áurea); o Motim das Mulheres, em 1875; o Primeiro Voto Feminino, de Celina Guimarães, em 1928; e a resistência ao bando do mais famoso cangaceiro, o Lampião, em 1927.

 

A princípio, Mossoró era apenas uma fazenda, ´Santa Luzia´, pertencente, antes de 1739, ao Capitão Teodorico da Rocha. A cidade tem uma economia fortalecida pela fruticultura irrigada (o destaque é o melão) e uma grande vocação para o comércio. Essa condição é privilegiada pela localização, eqüidistante de duas capitais, Natal (RN) e Fortaleza (CE). As três estão ligadas, por via terrestre, pela rodovia BR 304.

 

 

 

 

CEARÁ-FORTALEZA: DISPUTA DE QUADRILHAS

 

 

Com mais de 300 quadrilhas profissionais e 250 eventos distribuídos entre junho e julho, o Ceará é um dos Estados que mais empolgam as pessoas com as farras juninas e suas disputas pelo título de melhor quadrilha. "Essas festas estão para o Ceará como o carnaval está para a Bahia", afirma o presidente da Federação das Quadrilhas Juninas do Estado do Ceará (Fequajuce), Aldenor Holanda. A expectativa é de que compareçam pelo menos 5 mil pessoas em cada evento.

 

A festança alcança grande parte das 184 cidades, com mais força no interior. Os principais eventos ocorrem nos municípios de Maracanaú - entre a segunda quinzena de junho e a primeira de julho - e Juazeiro do Norte, com dez dias de arraiá a partir de 15 de junho. Tudo regado a tapioca, vatapá e grupos de forró com suas sanfonas, zabumbas e triângulos. Para entrar no ritmo, a pedida regional Aluá, bebida alcoólica à base de rapadura, não pode faltar.

 

Mas o que deixa o cearense empolgado são as competições entre quadrilhas. Ao contrário de outros Estados nordestinos, no Ceará não existe divisão por categorias. Isso significa que na mesma festa um grupo tradicional, na qual as moças vestem roupas de chitão, se apresenta com outro estilizado, que usa tecidos nobres e muito brilho.

 

 

 

ALAGOAS-MACEIÓ

 

 

Zabumba, sanfona e triângulo: durante dez dias o "trio parada dura" do forró pé de serra invade a capital alagoana e coloca 30 mil pessoas para dançar xote, xaxado e baião no Forró&Folia. A programação do maior arraial de Maceió conta com 20 trios de forró e 30 bandas locais e nacionais. Os ritmos, claro, vão além do forró, para agradar a todos os gostos e encher a cidade de matutos e prendas com vestidos de chita.

 

Vários cenários são montados para servir de palco para as atrações. Apesar da predominância do tradicional forró pé de serra, a cada ano novos estilos musicais ganham mais espaços no São João alagoano, como o forró eletrônico, o sertanejo, o brega e o axé. "O importante é que o ritmo seja o carro chefe da festa, mas nada impede que outros estilos façam parte do arraial. Isso também é espírito junino", justifica o organizador do Forró&Folia, o radialista Gilberto Lima.

 

Entre tantos ritmos e danças, na hora que bate a fome o público tem uma grande variedade de comidas típicas das festas juninas do Nordeste à disposição, sendo o milho o ingrediente mais saboroso. Aqui curau se chama canjica e canjica se chama mugunzá. Só a pamonha se chama pamonha mesmo, como no restante do País. Todas essas delícias, expostas ao lado de barracas de artesanato local, ficam concentradas em uma vila cenográfica que retrata uma típica cidadezinha do interior nordestino.

 

Criado em 2000, o Forró&Folia caiu nas graças do povo alagoano e transformou Maceió em um grande arraial. Neste ano, os investimentos na festa chegam a R$ 1 milhão e os organizadores sonham em superar Campina Grande, na Paraíba, e Caruaru, em Pernambuco, em público e arrecadação. Pode parecer ambicioso, mas se o pernambucano Luiz Gonzaga ainda fosse vivo, provavelmente sentiria orgulho da festa junina alagoana, onde a terra arde com a fogueira de São João no ritmo da Asa Branca e nas passadas dos milhares de casais que dançam até o dia clarear.

 

 

 

CANGAÇO

 

 

Para se preparar para os festejos juninos com muita sanfona e histórias de cangaceiros, as prefeituras de Água Branca, Delmiro Gouveia e Piranhas, cidadezinhas alagoanas que registraram várias passagens pela região do Rei do Cangaço, Lampião, se uniram para realizar o Forró, Sanfona e Cangaço.

 

O evento, com duração de três dias, terá debates sobre tradições cangaceiras, com a participação da filha de Lampião e Maria Bonita, Expedita Ferreira, e rodas de sanfona e forró com os melhores músicos do Estado de Alagoas.

 

 

 

 

PIAUÍ -TERESINA

 

 

O gigantismo das celebrações da Paraíba e de Pernambuco não existe no São João do Piauí. Mas menos holofotes e programação resumida não reduzem o espírito junino de Teresina. A única capital nordestina longe do mar resgata tradições populares e reúne artistas de cidades e Estados vizinhos durante sua comemoração, que vai de 17 a 29 de junho.

 

O principal expoente dessa festa multicultural é o Encontro Nacional de Folguedos do Piauí, promovido pela Prefeitura. Bailarinos, músicos, quadrilheiros, grupos de forró, cangaceiros e vaqueiros são os tipos mais comuns entre os quase 3 mil artistas que participam dessa espécie de simpósio junino, representando mais de dez Estados. Muitos vêm de longe e precisam bancar a viagem até Teresina. Por isso, a programação é definida poucos dias antes do evento.

 

 

 

SERGIPE-ARACAJU

 

 

Há um ditado em Sergipe que diz: "Se Deus é brasileiro, São João é sergipano." Quem visita o menor Estado do País concorda de imediato com a sabedoria popular. Os moradores parecem aguardar o ano inteiro pelos festejos juninos. Carnaval, Páscoa e Natal não passam de eventos secundários diante da festa em homenagem ao santo mais badalado do Nordeste.

 

Junho nem bem começa e as ruas já ficam cheias de bandeirinhas coloridas. Os moradores enchem calçadas, praças, jardins e quintais das casas com fogueiras de diversos tamanhos e reúnem a vizinhança para compartilhar comidas típicas, conversas e bailados.

 

A organização é tamanha que se tornou comum nos bairros de Aracaju os amigos fazerem "vaquinhas" para contratar trios de forró. São esses grupos que vão animar as noites das comunidades.

 

O 24 de junho, dia oficial do santo, foi declarado feriado estadual. Algumas ruas da capital chegam a ficar intransitáveis por causa da fumaça e das fogueiras que os moradores acendem para celebrar o dia mais esperado do ano. A ansiedade é tanta que na primeira semana de maio já ocorre o Forrozão, evento que reúne as principais bandas de forró do Brasil. A festa - que segue noite adentro - marca o início da contagem regressiva para as comemorações juninas de Sergipe.

 

 

 

 

O marco dessas festividades se chama Forró Caju, evento criado há 16 anos. Os visitantes vêm de todos os cantos do Brasil (e até de outros países) para dançar forró, participar de quadrilhas e assistir a manifestações típicas de Sergipe, como o barco de fogo, a guerra de espadas e os bacamarteiros.

 

Durante os 16 dias do Forró Caju, a cidade respira São João - cerca de 150 mil pessoas participam da festa diariamente. O comércio enche as vitrines de produtos e enfeites para os festejos, as escolas organizam quadrilhas e as casas ficam coloridas com bandeirolas. Tudo parece ser movido pela energia, pela alegria e pela agitação do Forró Caju.

 

Neste ano, o evento ocorre entre os dias 13 e 28 de junho e tem confirmadas as presenças de grupos como Aviões do Forró e Banda Calypso. Os organizadores pretendem contar, ainda, com apresentações clássicas de Alceu Valença, Zé Ramalho e Elba Ramalho.

 

Bem perto da Praça de Eventos Hilton Lopes, no centro histórico, construída para o Forró Caju, está o Arraiá do Povo, bastante movimentado pelo vaivém de sergipanos. Turistas brasileiros e estrangeiros também se encontram por ali, para aproveitar os megashows comandados por bandas locais e nacionais.

 

O espaço lembra uma cidadezinha de interior, com fachadas de igrejinhas, casas coloridas e botequins. Diferentemente do Forró Caju, o Arraiá do Povo dura um mês e costuma contar com até 100 mil pessoas por dia na Orla de Atalaia - um dos pontos turísticos mais apreciados do Nordeste.

 

 

 

 

FESTA DO INTERIOR

 

 

Mas a folia não se limita à capital de Sergipe. Algumas cidades do interior recebem festas tão tradicionais e movimentadas quanto o Forró Caju e o Arraiá do Povo. Areia Branca, Estância, Capela e Itaporanga são alguns dos municípios que enchem Sergipe de arrasta-pé e organizam eventos disputados principalmente pelos que curtem lugares menores, com infraestrutura mais simples.

 

Para mostrar que esses vários festejos não dividem as comemorações, mas se somam formando uma gigante celebração, alguns canais de televisão locais organizam o São João da Gente. Durante toda a noite de São João, equipes de reportagem rodam Sergipe registrando os inúmeros arraiais - para ninguém ficar de fora da festa, mesmo estando em casa.

 

A série de flashes das festas juninas já virou um costume local e reforça a ideia de que, por lá, São João não é apenas um santo, mas sim um verdadeiro cidadão sergipano.

 

 


 

 

QUITUTES NÃO PODEM FALTAR

 

Tão envolvente quanto o som dos pífanos e os versos dos repentistas são os deliciosos quitutes que recheiam as barraquinhas das festas de São João do Nordeste. Comida saborosa, forte e de personalidade, que ajuda a manter de pé a multidão embalada pelo forró e baião. O menu responsável por repor as energias dos festeiros muda, sim, de acordo com o Estado visitado. Ou você pensa que a gastronomia junina é universal? Os produtos típicos e as tradições de cada localidade ajudam na mudança dos aromas e das receitas. Quem voltar da capital do Piauí, por exemplo, sem ter pedido ao garçom um prato de Maria Isabel vai ficar com a viagem incompleta. Trata-se de uma receita bastante famosa em Teresina, à base de carne de sol e arroz. Pode vir acompanhada de feijão tropeiro, mingau de milho e creme de galinha. Uma delícia com sustança.

 

 

 

Professor da UFPB analisa como as Festas Juninas do Nordeste brasileiro sofreram modificações pela ação de divulgação da mídia

 

As festas de São João que ocorrem no Nordeste brasileiro viraram grandes produções. As fogueiras, antes feitas com madeiras, atualmente exibem shows pirotécnicos as quadrilhas, que desfilavam os noivos ao som de músicas tradicionais como "Pula Fogueira", abordam agora temas sociais e são embaladas por grandes nomes de artistas locais. Este é o retrato das "superquermesses" que agitam a economia e o turismo do Nordeste durante esta época do ano. A grande responsável pela mudança de perfil destes eventos populares é a Mídia, que trabalhou nos últimos 20 anos para transformá-los em espetáculos rentáveis e adaptados ao mundo globalizado.

 

Quem aponta estas mudanças é a pesquisa "São João de Campina Grande: Um acontecimento folkmidiático", elaborada pelo professor da FACOM-UFPB (Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco), Osvaldo Meira Trigueiro. O trabalho, que comeþou em 1998, vem estudando as transformações que este tipo de evento sofreu no decorrer do tempo. "As grandes Festas Juninas, hoje, funcionam como uma nova cultura híbrida, que atende ao apelo popular - que deseja espetáculos e consumo. E ao midiático, que espera, nas entrelinhas, expôr um mercado em potencial", explica Trigueiro

 

 

O resultado deste apelo entre as duas partes foi a adaptação das Festas Juninas nordestinas para o consumo global. Segundo o professor, a estes eventos culturais foram adicionados elementos que os transformaram em shows. Ele cita como exemplo "O maior São João do Mundo", realizado em Campina Grande (PB), que recebeu uma estrutura com cenários, barracas de comidas típicas e um palco para espetáculos, itens que não faziam parte originalmente da festa . "Os meios de comunicação mantiveram a tradição e adicionaram o show. Ou seja, transformaram a Festa Junina em um produto globalizado, para ser noticiado e explorado comercialmente. Algo como a junção do folclore com tecnologia".

 

Essa evolução para espetáculo passou a a atrair milhares de pessoas. Com isso, empresários de diversos segmentos (turismo, bebida, roupa, fogos de artifício), enxergaram um mercado em potencial. "Um evento deste porte, que atrai muitos turistas, é ideal para a movimentação do comércio", explica Trigueiro. O professor acrescenta que a exposição na mídia também chamou a atenção de empresas. "O poder de imagem é tão forte que estes eventos se mostram uma última oportunidade para a divulgação de novos produtos".

 

 

 

No embalo de Campina Grande, cidades como Caruaru (PE) e Feira de Santana (BA) também promovem suas "superquermesses". Para manter o clima da festa, que tem duração média de 30 dias, os organizadores destes eventos reinventam as atrações clássicas das Festas Juninas. A fogueiras viram espetáculos de laser, o show dos fogos de artifício são comparados aos exibidos tradicionalmente nos finais de ano na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No entanto, o ponto alto, segundo Trigueiro, é a apresentação das quadrilhas. "Elas disputam para ver quem apresenta o melhor enredo, que pode ser dramático ou contemporâneo", diz. Ele acredita, que, em breve, elas estarão organizadas como as escolas de samba do Rio de Janeiro.

 

Segundo Trigueiro, este tipo de evento já se consolidou no Nordeste e virou um roteiro obrigatório para a população local daquela região. "Os nordestinos, que consideram as Festas Juninas mais importantes que o carnaval, aguardam muito sua realização". Ele conta que a atração é tão chamativa que, geralmente, muita gente acaba visitando todas as grandes Festas de São João do Nordeste. "Por causa dos meios de comunicação, curtir as festas é ser pop", brinca.

 

 

 

 

 

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